Convenção lança Chico à Prefeitura do RJ e proporcionais à Câmara
O salão nobre da Câmara Municipal foi pequeno para receber as centenas de militantes dos movimentos social, popular e sindical que, no último dia 20 de junho, prestigiaram o lançamento da candidatura de Chico Alencar (PSOL) à prefeitura do Rio, tendo, como vice, a educadora Vera Nepomuceno (PSTU). A Convenção Legal do PSOL apresentou também a nominata dos 34 candidatos proporcionais do partido no município, incluindo nomes como o do vereador Eliomar Coelho e do ex-deputado João Batista (Babá). Em sua saudação final, ao lado de Heloísa Helena, Chico desafiou as candidaturas burguesas a fazerem campanha com poucos recursos e sem doações de banqueiros e empresários de ônibus.
“Aqui estão os verdadeiros lutadores, aqueles que não se entregaram aos ditames do capital e dos poderosos. Aqui está a campanha que vai mudar o Rio”, disse, sob aplausos, o presidente do PSOL-RJ, Jefferson Moura, ao abrir formalmente os trabalhos da Convenção Legal que lançou a frente Rio Socialista (PSOL-PSTU) para as eleições deste ano.
Duas das votações mais importantes da Convenção, além de aprovar as candidaturas de Chico e dos proporcionais, foi ter referendado a carta-compromisso com as resoluções da Conferência Nacional Eleitoral do PSOL; e ter, também, referendado a Executiva do PSOL-RJ como coordenadora da campanha eleitoral no Estado.
Frente ‘Rio Socialista’ reafirma pólo de esquerda
Falando em nome do PSTU, o presidente do partido, Cyro Garcia, saudou o evento sem esconder o entusiasmo com a campanha de Chico. “É com satisfação que reeditamos a frente de esquerda, que com certeza não se esgotará na luta eleitoral. Temos que continuar a luta contra a política clientelista de candidatos como Crivela, que resultou na entrega de três jovens a uma facção criminosa no morro da Providência”, disse, referindo-se ao ocorrido há duas semanas, naquela comunidade, para completar. "Quando o Chico foi candidato na época do PT, ele só não foi eleito porque o próprio PT não queria sua eleição. Mas agora será diferente. Agora ninguém vai atuar contra o Chico. É todo mundo com o Chico".
Também referindo-se ao ocorrido na Providência, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) criticou o que considera ‘fusão’ entre crime, polícia e política. “Temos que dar um basta a essa fusão que tem martirizado a população pobre do Rio. Por isso é fundamental dizermos que não governaremos para todos. Não governaremos para as milícias, para os banqueiros e empresários de ônibus. Não queremos mudar a roupa [do Rio] sem trocar a pele”, concluiu.
Sem dinheiro de banqueiros, milícias e empresários
Dispensando apresentações formais e aplaudida de pé pela convenção, a presidente nacional do PSOL, Heloísa Helena, enfatizou o esforço do partido, em vários estados do Brasil, no sentido de construir a frente de esquerda. “Para mim — disse — é uma honra ter o PSTU nessa frente com o Chico. Faremos uma campanha maravilhosa porque não temos do que nos envergonhar. Temos pessoas da qualidade do Eliomar, do Marcelo Freixo e de todos os demais candidatos, que nos orgulham profundamente. Não aceitamos dinheiro de banqueiros, milícias e de todos os que impõem o sofrimento ao nosso povo. Vamos ganhar a eleição”.
“A frente mostra que é possível lutarmos com coerência por uma sociedade diferente, sem fazer concessões ao capital. A frente veio para garantir uma vida mais feliz ao nosso povo”, enfatizou a candidata a vice, Vera Nepomuceno.
Inversão de prioridades
Saudado de pé pelos convencionais e militantes aos gritos de ‘Dito e Feito, Chico Prefeito’, o candidato majoritário da frente Rio Socialista frisou os desafios da campanha. “Hoje iniciamos uma dura caminhada para os próximos três meses, que espero se materialize na nossa eleição para a Prefeitura e na escolha de nossos representantes para a Câmara, fazendo com que a maioria da população vire maioria política”, disse Chico, interrompendo as considerações para informar sobre o apoio da compositora Joyce, que prepara um samba para sua campanha. Em seguida, Chico destacou a inversão de prioridades contida em seu programa de governo. “A nossa campanha vai viver um enamoramento com a grande política e nesse sentido cada um dos nossos candidatos tem a responsabilidade de fazer a diferença. Socializaremos os meios de governar porque, na verdade, não há possibilidade de transformação sem a participação popular. Queremos, na cidade do Rio, um sujeito coletivo reivindicante para evitar a barbárie como ocorrido no Morro da Providência”.
Desafio às candidaturas burguesas
Concluindo, Chico lançou o desafio às demais candidaturas [Gabeira, Crivela, Molon, Paes e etc] a fazerem suas campanhas com poucos recursos. “Por que eles não rejeitam doações de banqueiros e empresas concessionárias? Por quê? Há um candidato [referindo-se a Gabeira] que fez aliança com o privatismo do tucanato. Há outro [Molon] em aliança com um escravocrata”. Referindo-se indiretamente a Crivella, disse: “Vamos enfrentar a combinação perigosa da exploração financista da boa-fé da nossa gente humilde, numa espécie de neopentecostalismo populista que se agarra nas estruturas do Estado para promover benemerência”.
O candidato da frente Rio Socialista encerrou sua saudação com o poema ‘Tabacaria’, de Fernando Pessoa, num brado de estímulo à militância. Em seguida, concedeu entrevista coletiva, ao lado de Heloísa Helena, aos principais meios de comunicação do Estado.



