Resolução da Executiva Nacional do PSOL, reunida no Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 2008.
1) Que há atualmente uma crise econômica internacional cuja eclosão ocorreu nos EUA, mas com repercussões em todo o mundo;
2) Que o Brasil, independentemente dos ritmos e da profundidade com que seja atingido, não está descolado da crise, como já indicam a redução da conta comercial da balança de pagamento e a saída da conta de capital, com o aumento da remessa de lucros e a fuga do capital das bolsas;
3) Que o governo brasileiro diante da crise mundial não defende os interesses nacionais e populares, o que agrava ainda mais suas conseqüências como o desmanche do Estado e os problemas de infra-estrutura;
4) Que o governo Lula anuncia corte de gastos sociais, em saúde, educação e
promete arrochar os salários dos servidores públicos e privatiza via PPPs, leilões e novas modalidades, o que ocorre também nos governos estaduais e municipais, como os do PSDB, PMDB, DEM, além do PT e seus aliados;
5) Que o governo Lula tenta aumentar a arrecadação com impostos que atacam principalmente os interesses dos trabalhadores e da classe média, enquanto isenta os especuladores estrangeiros na bolsa de valores e não taxa as grandes fortunas;
6) Que o governo Lula e o Banco Central já deixaram claro que a política de juros continuará restritiva, o que significa não apenas reverter a gradual e tímida redução dos juros básicos da economia, mas aumentar as taxas que já são as mais altas do mundo, beneficiando os especuladores e o capital financeiro;
7) Que o governo Lula, assim como o anterior governo FHC, está marcado pela corrupção, como mais uma vez fica claro com o escândalo dos cartões corporativos;
8) Que o aumento do desmatamento fruto da privatização da Amazônia mostra a consolidação da aliança do governo Lula com o agronegócio dos grandes capitalistas e multinacionais;
A Executiva Nacional do P-SOL propõe:
a) Defender o Brasil, os interesses nacionais, do povo e dos trabalhadores, com propostas claras para enfrentar a crise.
b) Nenhum corte nos gastos sociais. Defesa da saúde, da educação, da segurança pública.
c) Redução das taxas de juros, já que o aumento das mesmas drena os recursos públicos para o capital financeiro. Extinção da DRU e do superávit primário atualmente usado para remunerar o capital financeiro.
d) Controle de capitais para que a economia não seja sangrada com a especulação e a remessa de lucros para o estrangeiro.
e) Taxação das grandes fortunas e por uma verdadeira reforma tributária que taxe o grande capital e os especuladores. Só assim se pode reduzir a brutal carga tributária que taxa aos pobres, aos trabalhadores empregados e desempregados e a classe média de modo geral.
f) Por uma CPI da dívida pública para que o povo tenha o conhecimento da composição da dívida, quem ganha e quanto ganha. Revelar-se-à que os grandes beneficiários são os milionários, banqueiros, as grandes fortunas e especuladores. Quem perde é o povo pobre de todos os estados e municípios brasileiros.
g) Contra as privatizações via as PPPs e as novas modalidades. Em defesa da infra-estrutura nacional. Não ao aumento das tarifas públicas.
h) Contra o congelamento salarial dos servidores públicos! Em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra a repressão e criminalização dos movimentos sociais.
i) Por uma campanha em defesa da Amazônia, contra o desmatamento e as privatizações das florestas. Fora as multinacionais da Amazônia!
g) Prisão aos corruptos e corruptores. Apoio às CPIs e todas as formas de investigação para derrotar esta vergonha nacional. Contra o acordo do PT e do PSDB para fazer abafar o escândalo dos cartões corporativos.
Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 2008
Executiva Nacional do PSOL



